O Processo do nosso mural
- Iasbela Art

- 1 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
Quando recebemos a proposta de criar um mural para a escadaria do bairro Dois Unidos, todos da sala se empolgaram. A escadaria é cheia de cores, pinturas, símbolos, cada degrau consegue contar um pedaço de história daquele lugar. A parede que nos deram para trabalhar ficava bem ali no meio desse cenário, então a nossa missão era criar algo que conversasse com tudo isso, sem apagar o que já existia.
Além disso, tinha um detalhe importante: a arte precisava ter relação com uma música de um cantor da comunidade. A ideia era que o mural tivesse a cara do morro, das pessoas, da rotina, das memórias de lá. Então não queríamos fazer apenas “fazer um desenho”, mas tentar entender o sentimento do lugar.
Foi aí que começamos a reunir ideias: símbolos religiosos, objetos comuns da comunidade, referências culturais, pequenas cenas que fazem parte da vida ali.

(Imagens do grupo 3 de Metodologia, 2025)
E, aos poucos, o nosso mural foi tomando forma. Chegamos à composição dividida em camadas:
Bandeirinhas no primeiro plano — lembrando as festas juninas e essa energia de celebração coletiva;
Pomba branca e um lírio — trazendo paz, espiritualidade e um toque delicado;
Igreja e casinhas coloridas — o morro, literalmente, ali;
Escadaria molhada — porque é impossível não notar o visual dela no dia a dia;
Bolinhas coloridas mais ao fundo — só pra deixar tudo mais vivo e brincalhão.
Detalhes que muita gente nem percebe, mas que estão ali no dia a dia e fazem parte da identidade visual do lugar. Juntamos a isso uma rosa e as bandeirinhas, e o mural foi ficando com aquela mistura de simplicidade e simbolismo que a gente buscava.

(Imagens Afrodite, 2025)
Por mais que não tenha ido para a escadaria no dia da pintura, ter participado desse processo criativo já foi um aprendizado gigante.
Nas aulas, falamos muito sobre intervenções urbanas, urbanismo tático e a potência que pequenas ações podem ter na vida das pessoas. Isso veio muito ao encontro de algo que penso para o meu TCC: como a arte pode transformar o espaço quando nasce da própria comunidade.
A disciplina de Metodologia 4 também reforçou essa ideia de mediar, experimentar, inventar, viver a arte de um jeito que não é só técnico, mas também afetivo. Arte e educação, no fim das contas, quase sempre caminham juntas. A criatividade não é só fazer bonito. É sentir, expressar, comunicar sem precisar explicar tudo em palavras. E, sendo você, já é.
No final, acho que conseguimos criar algo que respeita o que já existe na escadaria, mas que também traz o nosso olhar. Um mural simples, simbólico, cheio de camadas que conversam com o lugar e com quem passa por ali. Essa experiência me lembrou que a arte é, antes de tudo, uma forma de estar no mundo. E cada traço que a gente deixa na parede, no cantinho do caderno, ou na memória do outro diz um pouco de quem somos.

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