top of page
Buscar
  • Foto do escritor: Iasbela Art
    Iasbela Art
  • 1 de dez. de 2025
  • 1 min de leitura

No dia 03/12, às 14h, aconteceu a nossa oficina com as crianças da escolinha um encontro afetivo e cheio de descobertas pequenas. A ideia era transformar um piquenique em uma experiência sensorial de desenho: muito giz, lápis de cor e giz pastel.


Cada criança recebeu folhas A3 e A4 e, a partir das frutas que levamos, experimentar desenhar para além da forma: não apenas a banana, o morango ou a maçã, mas o doce, a textura, o cheiro… tudo aquilo que não cabe exatamente no contorno, mas que aparece no gesto.


Por conta de um freelance (e também porque meus horários livres são só pela manhã), não pude participar presencialmente da oficina. Mas acompanhei tudo pelos bastidores, ajudando na organização geral e dando suporte para quem estaria lá diretamente com as crianças. Mesmo de longe, foi bonito ver o cuidado do coletivo e perceber como essa vivência se encaixa no que temos discutido ao longo da disciplina: processos que se constroem juntos, na prática, no improviso, no afeto.


No final, cada integrante preencheu o documento organizado pela professora, registrando sua função e participação (mais uma forma de refletir sobre o processo e sobre como as ações individuais ajudam a compor o todo.)


Nossa proposta foi de uma oficina leve, sensível e cheia de pequenas surpresas. Um momento de pausa para olhar, sentir, desenhar e compartilhar. Uma tarde de frutas, cores e arte.

 
 
 

Visitar a Escolinha de Arte do Recife me fez sentir como abrir uma porta de possibilidade do que poderia ter sido se tivesse conhecido quando criança. Fundada em 06 de março de 1953, a escolinha carrega não só história, mas um espírito vivo de criação que ultrapassa gerações. Quem nos recebeu foi a professora Zenaide Ramos, que já atua lá há vinte anos — sempre como voluntária. Ela contou que na vida dela, os horários da escolinha são sempre prioridade, nunca marca nada no horário de suas aulas. E, depois de conhecer o espaço, é fácil entender por quê.


(Imagens de acervo pessoal, 2025)


O lugar é um casarão antigo, lindo e colorido, cheio de desenhos, pinturas e marcas de quem já passou por ali. Mesmo precisando de mais investimento, continua sendo um espaço acolhedor e encantador. Em cada cantinho tem alguma obra, alguma arte, experiência, alguma memória. Nas paredes, nas mesas, nos corredores. Algumas feitas por artistas convidados, como Jeff Alan, e outras, pelas próprias crianças e adolescentes que frequentam e/ou frequentaram a escolinha.


O que mais me chamou atenção foi a liberdade. Zenaide explicou que, nas aulas dela, os alunos decidem o que querem fazer. Eles chegam e escolhem se querem mexer com tinta, desenhar, usar aquarela, experimentar guache, modelar argila ou até fazer gravura — porque sim, lá também tem espaço pra isso. E é justamente essa liberdade que transforma o aprendizado em algo natural e leve. Brincando, eles aprendem. Criando, eles crescem.

A escolinha é cheia de materiais: lápis de cor, variedade de tintas, papéis, pincéis, prensa para fazer gravura, material e espaço para fazer argila e muito mais. Tem também uma biblioteca e um quintal cheio de plantas. E até tartarugas.


(Imagens de acervo pessoal, 2025)


Ao estar ali, foi impossível não pensar em como minha própria trajetória teria sido diferente se eu tivesse tido acesso a um lugar assim na infância. A escolinha é, de verdade, um espaço onde a criança pode descobrir sua poética, sua identidade e sua forma de se expressar. Nada forçado, nada rígido: ali, cada um é do jeito que é, e tudo bem.


No final da visita, nos sentamos em uma mesa onde os alunos normalmente desenham. Zenaide nos mostrou pastas cheias de trabalhos: autorretratos, criações pessoais e experimentações com cores e diferentes tecnicas. Cada desenho tinha sua própria voz. Foi muito bonito ver como cada aluno se expressava e deixava um pedacinho de si.


(Imagens de acervo pessoal, 2025)


Também começamos a pensar sobre a oficina que vamos propor para a escolinha e escolher para qual grupo queremos direcionar (crianças ou adolescentes), qual será a proposta, o objetivo e os materiais.


Saí de lá leve e com a sensação de que a escolinha é muito mais que um espaço de aulas: é um lugar de ser, sentir e se permitir. E estar ali reacendeu o quanto a arte pode transformar a gente, a infância, a cidade e tudo ao redor.

 
 
 
  • Foto do escritor: Iasbela Art
    Iasbela Art
  • 1 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura

Quando recebemos a proposta de criar um mural para a escadaria do bairro Dois Unidos, todos da sala se empolgaram. A escadaria é cheia de cores, pinturas, símbolos, cada degrau consegue contar um pedaço de história daquele lugar. A parede que nos deram para trabalhar ficava bem ali no meio desse cenário, então a nossa missão era criar algo que conversasse com tudo isso, sem apagar o que já existia.


Além disso, tinha um detalhe importante: a arte precisava ter relação com uma música de um cantor da comunidade. A ideia era que o mural tivesse a cara do morro, das pessoas, da rotina, das memórias de lá. Então não queríamos fazer apenas “fazer um desenho”, mas tentar entender o sentimento do lugar.


Foi aí que começamos a reunir ideias: símbolos religiosos, objetos comuns da comunidade, referências culturais, pequenas cenas que fazem parte da vida ali.


(Imagens do grupo 3 de Metodologia, 2025)


E, aos poucos, o nosso mural foi tomando forma. Chegamos à composição dividida em camadas:


  • Bandeirinhas no primeiro plano — lembrando as festas juninas e essa energia de celebração coletiva;

  • Pomba branca e um lírio — trazendo paz, espiritualidade e um toque delicado;

  • Igreja e casinhas coloridas — o morro, literalmente, ali;

  • Escadaria molhada — porque é impossível não notar o visual dela no dia a dia;

  • Bolinhas coloridas mais ao fundo — só pra deixar tudo mais vivo e brincalhão.


Detalhes que muita gente nem percebe, mas que estão ali no dia a dia e fazem parte da identidade visual do lugar. Juntamos a isso uma rosa e as bandeirinhas, e o mural foi ficando com aquela mistura de simplicidade e simbolismo que a gente buscava.


(Imagens Afrodite, 2025)


Por mais que não tenha ido para a escadaria no dia da pintura, ter participado desse processo criativo já foi um aprendizado gigante.


Nas aulas, falamos muito sobre intervenções urbanas, urbanismo tático e a potência que pequenas ações podem ter na vida das pessoas. Isso veio muito ao encontro de algo que penso para o meu TCC: como a arte pode transformar o espaço quando nasce da própria comunidade.


A disciplina de Metodologia 4 também reforçou essa ideia de mediar, experimentar, inventar, viver a arte de um jeito que não é só técnico, mas também afetivo. Arte e educação, no fim das contas, quase sempre caminham juntas. A criatividade não é só fazer bonito. É sentir, expressar, comunicar sem precisar explicar tudo em palavras. E, sendo você, já é.


No final, acho que conseguimos criar algo que respeita o que já existe na escadaria, mas que também traz o nosso olhar. Um mural simples, simbólico, cheio de camadas que conversam com o lugar e com quem passa por ali. Essa experiência me lembrou que a arte é, antes de tudo, uma forma de estar no mundo. E cada traço que a gente deixa na parede, no cantinho do caderno, ou na memória do outro diz um pouco de quem somos.


 
 
 
bottom of page